“A MINHA MÚSICA É ISSO, É ESSA ALEGRIA, É O AMOR, É TANTO AMOR!”

 

Galo da Madrugada - Recife, PE

 

22 de maio de 2022

“A MINHA MÚSICA É ISSO, É ESSA ALEGRIA, É O AMOR, É TANTO AMOR!”

Não seria exagero algum dizer que ele é o compositor mais tocado, atualmente e nas últimas décadas, no carnaval de Pernambuco. Brasileiro no sobrenome artístico e pernambucano em cada partícula do seu DNA – natural e poético –, Marron (sim, com “n” no fim mesmo) é o que se pode chamar de um artista completo. Criador de clássicos como “Nas Ondas do Desejo”, “É tanto Amor”, “Galera do Brasil” e “Arreia a Lenha”, o recifense do bairro da Mustardinha ainda é dono de uma das mais belas vozes da música local. Um talento que, segundo ele, teve influência tanto familiar quanto da própria cultura popular: “meu pai gostava muito de cantar seresta, escutava muito Jacó do Bandolim, sambas de Cartola… além disso, tinha também os botecos lá do Bairro, onde, nos fins de semana, tocava muito aquelas músicas do povão: José Augusto, Reginaldo Rossi, Fenando Mendes, e a gente ficava, ali, escutando”, lembra.

É claro que o ritmo carnavalesco também não poderia estar de fora das primeiras referências musicais daquele menino nascido e criado em um bairro considerado, na época, um dos principais circuitos da folia recifense. “Carnaval, naquela época, a tradição era botar o disco de “seu Claudionor” (Germano), com todos aqueles clássicos. Quando eu escutava aquelas letras, decorava-as. Eram pura alegria, sintetizavam a alegria do carnaval, o prazer de brincar o carnaval”, acrescenta Marron, que recorda, ainda, de quando viu um trio elétrico pela primeira vez, na “cacunda” da tia, na própria Mustardinha: “era um trio em forma de foguete, com os músicos todos uniformizados de astronauta, foi um negócio de louco. Acredito que tenha sido no carnaval de 1970, após a primeira ida do homem à lua”.

Como ocorre com boa parte dos artistas, o começo da trajetória de Marron com a música não foi nada fácil, mas teve direito a episódios cômicos: “meu primeiro cachê foi um prato de pé de porco (risos). Toquei a noite todinha, num botequim, e o cara, no final, disse que não tinha dinheiro, o bar ‘tava lotado”, conta. “Mas tem um pé de porco super legal, negão. Dá pra tu?”, ofereceu o esperto dono do estabelecimento, como pagamento ao músico, que não se fez de rogado. “Pra eu não ficar no prejuízo, levei o pé de porco pra casa (mais risos)”.

Marron também cantou em bandas de baile da cidade. Começou nas mais modestas, passando, depois, a compor conjuntos mais conhecidos. “Até que entrei no Grupo Alcano, onde passei anos e pude sedimentar, fortificar o meu nome. Depois, fui pro Scorpions (assim como o Alcano, banda recifense de grande sucesso, principalmente, na década de 1980) e, por fim, montei a banda Versão Brasileira, na qual todos os ritmos eram calcados em cima da cultura de Pernambuco”. Com a “Versão”, veio a consagração de Marrom em Pernambuco e em todo o Brasil: “estouraram várias músicas, como ‘A Galera do Brasil’, ‘É tanto Amor’, ‘Pra te Namorar’ e também fiz uma série de canções pra outros artistas também daqui de Pernambuco”, afirma o artista, que teve sua primeira grande composição, “A Cor do Pecado”, estourada na voz de ninguém menos que Reginaldo Rossi, em 1987 – no mesmo ano, o clássico “Nas Ondas do Desejo” também fazia sucesso na Turma do Pinguim, também pernambucana.

Artista passou por grupos consagrados como Alcano, Scorpions e Versão Brasileira, além de ter composto sucessos para v´ários outros cantores e bandas de Pernambuco.

Com o Galo, Marron Brasileiro diz que os primeiros contatos são ainda dos primeiros desfiles do bloco, ainda como um mero folião, quando ia com a família e vizinhos “num carro velho”, participar do ainda modesto desfile. “Lembro que o percurso era completamente diferente do que é hoje. Era uma verdadeira festa, as pessoas fantasiadas, as ruas, as orquestras. Chegávamos muito cedo pra ver o ‘glorioso’, que é como chamo o Galo”, recorda.  

Nem imaginava, aquele garoto, que, anos mais tarde, estaria no bloco não mais como brincante, mas em cima de um trio elétrico animando a multidão na apertada Rua da Concórdia e adjacências. “Chegar a tocar no Galo da Madrugada foi uma bênção de Deus, uma apoteose. Hoje, o Galo é como se fosse uma grande família, uma extensão da família da gente”, avalia Marron, cujas composições são quase que obrigatórias no repertório dos trios no Galo – e de outros blocos e eventos do carnaval pernambucano.

“A minha música é isso, é essa alegria, é o amor, ‘é tanto amor’, ‘se você quer sentir bem mais que o meu carinho, dançar comigo no passo de um caboclinho’. Esse sentimento de alegria que explode mesmo, no carnaval, que é extravasado no carnaval. Tem a famosa ‘Arreia a Lenha, ‘a cidade vai tremer, a galera vai suar’, tu quer uma coisa mais Galo da Madrugada do que isso?”, declama o músico, ou melhor, o poeta.

Compositor é, certamente, o mais tocado nos desfiles do Galo, bloco que considera como “O Glorioso”.

Os dois anos de ausência do Galo nas ruas – bem como de todos os demais eventos, em decorrência da pandemia pela Covid-19 – foi, para o músico, não apenas um momento de tristeza, mas (poeta como é!) também de inspiração. Ele conta que, no fim da tarde do Sábado de Zé Pereira em 2021 – 13 de fevereiro – resolveu compor uma canção que simbolizada aquele momento em que o maior bloco do mundo, pela primeira vez, desde 1978 não saía às ruas. Carregada de poesia e de sentimentos, a letra diz: “No dia em que o Galo não saiu, meu coração sofreu uma saudade / e toda aquela anormalidade, fez-se um deserto, um manifesto pelas ruas, sem ter cor / não teve carnaval no meu Brasil, nem alegrias, nem felicidades / a Avenida Sul, sem Norte, se perdeu pela cidade / e a Imperial ficou sem o Galo Imperador / não houve sopros de nenhum clarim, não vi sorrisos, multidão na esquina, nem vuco vuco na Loreto com a Concórdia / supliquei misericórdia a Santo Antônio protetor / eu sei que não há mal que dure para sempre, mas outro carnaval sem o Galo eu não aguento, não, Senhor”.

A retomada, como esperava Marron – e todos os foliões – não veio em 2022, mas só serviu para aumentar ainda mais a expectativa e os ânimos para a retomada, em 2023: “o próximo carnaval é o carnaval do renascer, do ressurgir, da retomada do viver e da alegria em nossas vidas. E o Galo é essa alegria, da vida, das possibilidades, da capacidade da gente de superar todos os obstáculos e de, por mais que a gente tenha sofrido, botar uma máscara, se pintar, se fantasiar e ir pras ruas fazer a festa. Estou contando os dias pra esse Galo, esse majestoso, esse glorioso. Vai ser divino”.

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